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Dos Benefícios da Cópia

Por vezes temos preconceitos contra a cópia, desprezamo-la pela antítese da capacidade criativa e da originalidade que representa. No entanto, a cópia está, desde longa data, associada ao ensino artístico e, por conseguinte, ligada à vida dos museus.
Foi nos museus que, ao longo de centenas de anos, os artistas se instalaram para copiar os mestres.

No Museu Portuense, antepassado do Museu Soares dos Reis, João Baptista Ribeiro quis criar uma Casa d’estudo onde os alunos da Academia Portuense de Belas Artes pudessem copiar as pinturas e estampas do acervo da instituição.

O Museu do Prado, a National Gallery, entre inúmeros outros museus, têm programas de cópias que enquadram e regulamentam o acesso às obras, bem como a disponibilização dos espaços do Museu para os muitos estudantes e artistas profissionais que todos os anos aí se instalam a copiar as obras dos grandes mestres.
Devidamente identificados como cópias, alguns destes trabalhos são depois comercializados.

O exercício académico da cópia serve não só as chamadas “Belas-artes” mas também as disciplinas do restauro: não há como restaurar ou reconstituir uma coisa se não sabemos como ela foi feita…"
Nos museus portugueses não é muito frequente vermos artistas nas salas a pintar, talvez porque o ensino por cá nem sempre favoreça essa prática.
Ainda assim, algumas escolas e faculdades instituíram, já há anos, a prática de trazer os alunos ao Museu Soares dos Reis para desenhar, pelo que é frequente vermos grandes grupos de alunos sentados na galeria de escultura a fazê-lo.

Em Janeiro deste ano o Museu recebeu um pedido da Universidade Católica do Porto (UCP) para acolher uma aluna do programa Erasmus que pretendia, no âmbito do estudo de técnicas de pintura do século XVI ao XX, realizar uma cópia de uma pintura da colecção.


Teresa Więcko - aluna do Department of Conservation of Painting and Polychrome Sculpture/ Institute for Study, Conservation and Restoration of Cultural Heritage at the Nicolaus Copernicus University in Toruń, Polónia – escolheu a obra “A Cismadora” de Luis Varela Aldemira.
Durante dois dias instalou-se na galeria, acompanhada do professor Arlindo Silva, da UCP e pouco a pouco lá foi fazendo uma nova cismadora.
Ficou assim:


Sabia que no Porto houve um Museu Industrial?

Fundado em 1883, o museu Industrial e Comercial do Porto materializou, na cultura portuguesa do final do século XIX, uma corrente europeia de recuperação e renovação das artes industriais.
À data, a introdução do design na produção e a aposta na formação e qualificação dos operários, foram os indicadores da aposta na instrução da população, que acabaria por materializar-se na criação de museus e esteve na génese de instituições tão importantes como o museu de South Kensington, hoje Museu Victoria & Albert.

O Museu Industrial do Porto seria porém extinto em 1899, tendo parte das suas colecções sido integrada no acervo do Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR).

Remate para lenço de mão (?)
Segunda metade do século XIX
Renda de bilros
Vila do Conde
Inv nº 59 tex MNSR
Quarenta e sete dessas peças, hoje integradas nas colecções de cerâmica e têxteis (núcleo de rendas) do MNSR, estão de visita ao MUD – Museu do Design e da Moda em Lisboa, onde serão apresentadas na exposição “Museu Infinito. Joaquim Vasconcelos e o Museu Industrial e Comercial do Porto (1883-1899)”

Garrafa antropomórfica
1784- 1821
Faiança
Fábrica de Santo António do Vale de Piedade – Gaia
Inv. 23 Cer MNSR

A exposição pretende reconstituir o Museu Industrial e Comercial do Porto a partir dos escritos e desenhos do historiador e crítico de arte Joaquim de Vasconcelos.

15 Jan. 2016 > 27 Mar. 2016

Para mais informações:

Alguma destas imagens lhe é familiar?

Rosalía de Castro
1951
Na Praça da Galiza
Garrett
1951
Praça General Humberto Delgado
Vimara Peres 
1968
No Terreiro da Sé
Sabia que o autor destas esculturas foi também director do Museu Nacional de Soares dos Reis?

Salvador Barata Feyo, escultor e professor na Escola de Belas Artes do Porto, foi director do Museu Nacional de Soares dos Reis (MNSR), entre Outubro de 1950 e Março de 1960.
Durante esse período revolucionou a política de aquisições do Museu e implementou um programa inovador de Exposição Permanente, sob o princípio da Arte comparada. Foi também sob a sua direcção que boa parte da obra de Soares dos Reis - hoje podemos ver em exposição no Museu - foi passada a bronze. 
Ao adquirir obras a artistas seus contemporâneos, Barata Feyo mudou radicalmente a relação destes com o MNSR. A esse ímpeto de actualização da colecção de pintura do Museu se deve a possibilidade de, na sua exposição permanente, se apresentar hoje uma área dedicada à produção artística da primeira metade do século XX.





Alto dos Sete Moinhos 
João Hogan, 1954 
Óleo sobre tela 
72,5 x 100 cm 
Inv. nº 1036 Pin MNSR
Adquirido ao artista em 1955
Casas de Malakoff-Paris 
Dordio Gomes, 1923 
Óleo sobre tela 
54,3 x 65,2 cm 
Inv. nº 983 Pin MNSR















Está actualmente em curso um trabalho de investigação sobre a política de aquisições do Museu Soares dos Reis durante a direcção de Salvador Barata Feyo*.

Cabeça de rapariga
Francisco Franco, 1923
27,5 x 16,2 x 23,5 cm
Inv. nº 294 Esc MNSR
Adquirida em 1958

A leitura intensiva da documentação existente no Arquivo do Museu, relativa a esta época, revelou já aspectos surpreendentes sobre a história da Instituição e das colecções. Em breve saberemos mais notícias e traremos às galerias do Museu outras obras adquiridas por Barata Feyo, que estão actualmente em reserva.

Lisboa e o Tejo
Carlos Botelho, 1950
54,5 x 73,5 cm
Inv. nº 1009 Pin MNSR
Adquirida em 1953
Esta obra está actualmente em reserva

*Este estudo está a ser realizado por Ana Temudo Gaio Lima, sob a orientação da Professora Elisa Noronha, no contexto de um estágio curricular do curso de Mestrado em Museologia da Faculdade de Letras da UP, ao abrigo de uma parceria estabelecida entre o Museu e a Universidade do Porto.

Não...não está fechado!

Na última quinzena de dezembro, tiveram início as obras de recuperação da porta principal do Museu. A entrada está agora tapada, mas o Museu continua aberto.
Nos últimos anos a porta principal do palácio tem vindo a dar sinais de degradação, devido à “idade avançada”, mas sobretudo à exposição solar que, principalmente no Verão, sujeita a fachada principal do edifício a luz e calor intensos durante quase todo o dia. 
Não temos registos do que terá sido feito com a porta original do palácio aquando das obras de adaptação do edifício a museu - decorridas no final da década 30 do século XX - durante as quais as quatro outras portas que marcavam o ritmo desta fachada, terão sido transformadas em janelas,.
A fachada do Palácio nos anos 30

Placa informativa
Grafismo dos anos 30-40

Nessa altura terão sido aplicadas as letras em latão dourado, com um grafismo muito característico da época, que ainda hoje indicam “Museu Nacional de Soares dos Reis” numa placa abaixo da luneta.
Fomos entrevistar o carpinteiro responsável pela obra e ficámos a saber algumas curiosidades, por exemplo que esta grande porta é construída em castanho, com ferragens de bronze e latão. Cada folha pesa cerca de quatrocentos quilos e cada uma das suas oito dobradiças pesa quatro quilos.
Foram necessários oito homens para fazer descer cada uma das folhas.
Nalgumas zonas em que a madeira é já irrecuperável, vai ser necessário introduzir segmentos de outra madeira - afizélia - uma espécie de secagem lenta e com baixo risco de deformação e por isso usada neste tipo de intervenções.
Desmontagem de uma das portas
Durante a intervenção na fachada, a entrada no Museu far-se-á pelo portão lateral, à esquerda de quem está de frente para o edifício.

Pequena Estátua, Grande Enigma

João Allen, coleccionador do Porto cuja colecção mora, desde 1937, no Museu Nacional de Soares dos Reis, adquiriu uma pequena estatueta, da qual pouco mais se sabe além de que foi obtida no Alentejo, em 1835.
Houvesse na altura o interesse em registar, com rigor, o contexto das peças que se coleccionavam e muito mais poderíamos saber hoje sobre esta estranha figura de barro cinzento.
De onde terá vindo? Quando terá sido feita? Para que serviria: seria um pequeno ídolo, um objecto de devoção? Que crenças teria quem a usou?
Algures no século XVIII, alguém deve ter-se encantado com esta estatueta e por isso a guardou, como se fosse uma jóia, num pequeno estojo, forrado a tecido e couro fino vermelho gravado a dourado, feito exactamente à medida.


Dos meados e meandros da sua origem e das muitas histórias que terá para nos contar, nada mais conseguimos saber até aqui. 
Nem nós, nem os arqueólogos e investigadores contactados pelo Museu, que, nos últimos 15 anos se têm esforçado para descodificar os vários elementos que, à partida, seriam passíveis de identificar a estatueta com algum grupo cultural específico: uma espécie de elmo na cabeça que se prolonga lateralmente até ao pescoço, um meio círculo sobre a testa delimitado por estrias e uma sequência de caracteres incisos na zona frontal do tronco.
 

Chegados ao derradeiro desenlace desta estória, cumpre-nos anunciar que, desta estatueta - como de outras duas a ela semelhantes, que se encontram na colecção da Biblioteca Nacional – o mistério continua por desvendar…