Exposição Temporária

"A Invenção Contínua”, Jorge de Oliveira (1924-2012)

11 de Abril a 6 de Julho 2014


Este projecto começou com uma visita de José Luís Porfírio (comissário da exposição que agora se apresenta) ao atelier do artista, durante a qual nasceu a ideia da produção de um livro e de uma apresentação da obra que o artista conservava ainda no seu atelier e que representava equilibradamente todos os períodos da sua produção artística.

Estudos para Fabrico de Cimento
1945 
Marcador e grafite sobre papel 
27 x 20,5 cm 
Col. Família Jorge de Oliveira

José Luís Porfírio conta, no texto de introdução do catálogo, que outras visitas ao atelier lhe foram revelando a obra em guache e aguarela que lhe permitiria “a descoberta de um neo-realista ainda mais desconhecido que o surrealista, mergulhando no coração tumultuoso dos anos quarenta e dos desafios assumidos por um jovem artista que aprendia e apreendia o mundo enquanto crescia, na afirmação, na interrogação e na dúvida, a sua consciência como artista e como homem”.
Na exposição como no percurso do artista dois ritmos maiores dominam: “a convulsão de mudança animando os dez anos iniciais, que podem considerar-se de formação, e a experiência contínua, a caminho de uma síntese ou de um diálogo, que atravessa quatro décadas da sua produção”.
“Os anos 1940 são os do seu início neo-realista, marcado, para além da temática social e do panfleto político do final da guerra, por um trabalho sistemático de temática industrial, fora do comum num pais rural, num exercício da relação homem-máquina onde a geometria predomina. O ciclo do cimento é uma complexa série de desenhos numa unidade fabril de Leiria, estudos de composição para uma pintura mural que nunca se realizou.

Um lento e sofrido abandono do neo-realismo acontece durante 1947, numa longa pesquisa sobre o corpo geometrizado com singulares situações neo-cubistas. Em 1948 dá-se uma reviravolta decisiva com duas pinturas bem diferentes mas matriciais que apontam o futuro da sua obra: Radiografia psíquica e Metamorfose I


Metamorfose I
1948
Óleo sobre contraplacado
102 x 102 cm
Col. Família Jorge de Oliveira

Entre 1940 e 1950, um automatismo psíquico e convulsivo é a grande descoberta de Jorge de Oliveira, temperada por alguma pesquisa geométrica.


Manhã desconhecida
1951
Óleo sobre aglomerado
100 x 122 cm
Col. Família Jorge de Oliveira em depósito no MNAC – MC
Mais calmo, pausado e bem mais longo, o segundo ciclo da obra de Jorge de Oliveira assume uma vontade de síntese, visando ultrapassar aquela que foi, entre 1950 e 1960, a grande dicotomia da arte portuguesa, o confronto entre figuração e não figuração.
O tempo entre os guaches de 1958 e os “diálogos” de 1990, é percorrido por uma mesma vontade de síntese, ritmada em quatro fases bem distintas que partem de memórias de paisagem para se transformar em cristalinos jogos luminosos.

Luz Oblíqua IV
1992
Óleo sobre tela
65 x 92 cm
Col. Família Jorge de Oliveira
Esta lenta elaboração das sínteses é interrompida por duas experiências onde o artista regressa, com rara intensidade, a imagens de extrema precisão, nos desenhos “surreais” dos inícios de 1960, memória das anteriores experiências oníricas, e na longa fase “cósmica” de 1970 e 1980, esta bem mais complexa, na tentativa conseguida de integrar o informe na forma mais definida e cristalina.






Esta lenta elaboração das sínteses é interrompida por duas experiências onde o artista regressa, com rara intensidade, a imagens de extrema precisão, nos desenhos “surreais” dos inícios de 1960, memória das anteriores experiências oníricas, e na longa fase “cósmica” de 1970 e 1980, esta bem mais complexa, na tentativa conseguida de integrar o informe na forma mais definida e cristalina.


Sem título
1962
Tinta-da china sobre papel
40,1 x 30 cm
Col. Família Jorge de Oliveira