Na colecção do Museu guarda-se um escudo de aparato adquirido em 1943, produzido no Sul da China, no século XVI, destinado possivelmente a um nobre português.
Trata-se de um escudo que era usado como adereço, ou seja, não se destinava verdadeiramente à protecção do corpo em combate, daí a delicadeza dos materiais de que é feito e a designação “de aparato”.
Em 2007, o seu estado de conservação era preocupante e foi então pedido ao Instituto Português de Conservação e Restauro (link?) que procedesse ao seu restauro.
Em 2007, o seu estado de conservação era preocupante e foi então pedido ao Instituto Português de Conservação e Restauro (link?) que procedesse ao seu restauro.
A intervenção de restauro numa peça tão rara como esta é uma operação complexa, mas que proporciona uma oportunidade única de estudo e análise de materiais. Esta é aliás, a única forma de ficarmos a saber como eram produzidos os objectos, onde eram recolhidas as matérias primas, que tecnologia se empregava, que povos dominavam cada técnica e como aproveitava a “aldeia global” de então esses recursos.
Essa oportunidade de estudo foi aproveitada em cheio pelos técnicos do Instituto e por uma estudante alemã, UlrikeKörber, que fazia então o seu estágio nesse Instituto.
Para o desenvolvimento do projecto foi formada uma equipa pluridisciplinar composta por dois conservadores restauradores de mobiliário (Pedro Cancela de Abreu e Margarida Cavaco), um fotógrafo (Luís Piorro), uma Conservadora-restauradora de têxteis (Paula Monteiro), um elemento do laboratório analítico (Maria José Oliveira) além dos três bolseiros (José Carlos Frade, Maria João Petisca e Ulrike Körber)
O conhecimento profundo dos materiais e técnicas usados na produção deste escudo, sobretudo da natureza e origem dos materiais usados na produção da laca que o reveste, mas também as suas características estilísticas tem vindo a revelar informação fundamental sobre as trocas culturais e comerciais entre Portugal e a Ásia no século XVI. Como muitos outros bens de luxo provenientes da Ásia nesta época, a forma e tecnologia de produção são asiáticas mas a decoração era adaptada à procura e ao gosto europeus.
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Pormenor da barra decorativa antes de tratamento Fixação da camada decorativa do reverso durante tratamento
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Nas representações em biombos nambam e em miniaturas mogois pintadas no século XVI e XVII veem-se representados inúmeros escudos deste tipo.
Após a intervenção de restauro e estudo, este escudo de aparato começou o que pode chamar-se uma “carreira internacional” tendo sido exibido em Boston na exposição “Portugal, Jesuits and Japan. Spirtual Beliefs and Earthy Goods”, que decorreu no McMullen Museum em 2013.
Após a intervenção de restauro e estudo, este escudo de aparato começou o que pode chamar-se uma “carreira internacional” tendo sido exibido em Boston na exposição “Portugal, Jesuits and Japan. Spirtual Beliefs and Earthy Goods”, que decorreu no McMullen Museum em 2013.


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