"Cuidados de Amor" para ver em Figueiró dos Vinhos

Quando em Junho vier ao Museu, não se surpreenda por não encontrar a rapariguinha trigueira - meio pensativa meio amuada - representada em Cuidados de Amor.


Cuidados de amor
1910
José Malhoa
óleo sobre tela
68 x 54 cm
1159 Pin MNSR
Legada ao Museu por Berta Pinto dos Santos Vilares,
em 1961
Esta pintura, da autoria de José Malhoa, vai ausentar-se mais uma vez da nossa galeria, à semelhança do que aconteceu em 2003, quando viajou até ao Brasil para a exposição Amar o outro Mar, que decorreu no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. E de novo em 2005, quando foi cedida para a exposição Malhoa e Columbano: Cumplicidades de uma Geração, apresentada no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha.
Desta vez, Cuidados de Amor irá até Figueiró do Vinhos, para ser mostrada na exposição Figueiró dos Vinhos no centro do naturalismo português, onde irá encontrar-se com obras de Simões de Almeida, Henrique Pinto e outros artistas do grupo do Leão.

A vila de Figueiró dos Vinhos foi “descoberta” pelos pintores José Malhoa e Henrique Pinto, em 1883, por indicação do escultor Simões de Almeida, que daí era natural.
Malhoa acabaria por construir em Figueiró a casa a que chamou “casulo” e onde instalou o seu atelier.
Graças à frequência inspirada destes artistas, as suas gentes costumes e lugares puderam materializar na pintura portuguesa de então uma imagem ideal da identidade nacional, e é sobre estes assuntos que esta exposição se irá debruçar.
A iniciativa, promovida pela Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos e Comissariada por Maria de Aires Silveira, decorre 21 de Junho a 28 de Setembro, no Centro de Artes de Figueiró dos Vinhos.

Pequena Estátua, Grande Enigma

João Allen, coleccionador do Porto cuja colecção mora, desde 1937, no Museu Nacional de Soares dos Reis, adquiriu uma pequena estatueta, da qual pouco mais se sabe além de que foi obtida no Alentejo, em 1835.
Houvesse na altura o interesse em registar, com rigor, o contexto das peças que se coleccionavam e muito mais poderíamos saber hoje sobre esta estranha figura de barro cinzento.
De onde terá vindo? Quando terá sido feita? Para que serviria: seria um pequeno ídolo, um objecto de devoção? Que crenças teria quem a usou?
Algures no século XVIII, alguém deve ter-se encantado com esta estatueta e por isso a guardou, como se fosse uma jóia, num pequeno estojo, forrado a tecido e couro fino vermelho gravado a dourado, feito exactamente à medida.


Dos meados e meandros da sua origem e das muitas histórias que terá para nos contar, nada mais conseguimos saber até aqui. 
Nem nós, nem os arqueólogos e investigadores contactados pelo Museu, que, nos últimos 15 anos se têm esforçado para descodificar os vários elementos que, à partida, seriam passíveis de identificar a estatueta com algum grupo cultural específico: uma espécie de elmo na cabeça que se prolonga lateralmente até ao pescoço, um meio círculo sobre a testa delimitado por estrias e uma sequência de caracteres incisos na zona frontal do tronco.
 

Chegados ao derradeiro desenlace desta estória, cumpre-nos anunciar que, desta estatueta - como de outras duas a ela semelhantes, que se encontram na colecção da Biblioteca Nacional – o mistério continua por desvendar…

Exposição Temporária

"A Invenção Contínua”, Jorge de Oliveira (1924-2012)

11 de Abril a 6 de Julho 2014


Este projecto começou com uma visita de José Luís Porfírio (comissário da exposição que agora se apresenta) ao atelier do artista, durante a qual nasceu a ideia da produção de um livro e de uma apresentação da obra que o artista conservava ainda no seu atelier e que representava equilibradamente todos os períodos da sua produção artística.

Estudos para Fabrico de Cimento
1945 
Marcador e grafite sobre papel 
27 x 20,5 cm 
Col. Família Jorge de Oliveira

José Luís Porfírio conta, no texto de introdução do catálogo, que outras visitas ao atelier lhe foram revelando a obra em guache e aguarela que lhe permitiria “a descoberta de um neo-realista ainda mais desconhecido que o surrealista, mergulhando no coração tumultuoso dos anos quarenta e dos desafios assumidos por um jovem artista que aprendia e apreendia o mundo enquanto crescia, na afirmação, na interrogação e na dúvida, a sua consciência como artista e como homem”.
Na exposição como no percurso do artista dois ritmos maiores dominam: “a convulsão de mudança animando os dez anos iniciais, que podem considerar-se de formação, e a experiência contínua, a caminho de uma síntese ou de um diálogo, que atravessa quatro décadas da sua produção”.
“Os anos 1940 são os do seu início neo-realista, marcado, para além da temática social e do panfleto político do final da guerra, por um trabalho sistemático de temática industrial, fora do comum num pais rural, num exercício da relação homem-máquina onde a geometria predomina. O ciclo do cimento é uma complexa série de desenhos numa unidade fabril de Leiria, estudos de composição para uma pintura mural que nunca se realizou.

Um lento e sofrido abandono do neo-realismo acontece durante 1947, numa longa pesquisa sobre o corpo geometrizado com singulares situações neo-cubistas. Em 1948 dá-se uma reviravolta decisiva com duas pinturas bem diferentes mas matriciais que apontam o futuro da sua obra: Radiografia psíquica e Metamorfose I


Metamorfose I
1948
Óleo sobre contraplacado
102 x 102 cm
Col. Família Jorge de Oliveira

Entre 1940 e 1950, um automatismo psíquico e convulsivo é a grande descoberta de Jorge de Oliveira, temperada por alguma pesquisa geométrica.


Manhã desconhecida
1951
Óleo sobre aglomerado
100 x 122 cm
Col. Família Jorge de Oliveira em depósito no MNAC – MC
Mais calmo, pausado e bem mais longo, o segundo ciclo da obra de Jorge de Oliveira assume uma vontade de síntese, visando ultrapassar aquela que foi, entre 1950 e 1960, a grande dicotomia da arte portuguesa, o confronto entre figuração e não figuração.
O tempo entre os guaches de 1958 e os “diálogos” de 1990, é percorrido por uma mesma vontade de síntese, ritmada em quatro fases bem distintas que partem de memórias de paisagem para se transformar em cristalinos jogos luminosos.

Luz Oblíqua IV
1992
Óleo sobre tela
65 x 92 cm
Col. Família Jorge de Oliveira
Esta lenta elaboração das sínteses é interrompida por duas experiências onde o artista regressa, com rara intensidade, a imagens de extrema precisão, nos desenhos “surreais” dos inícios de 1960, memória das anteriores experiências oníricas, e na longa fase “cósmica” de 1970 e 1980, esta bem mais complexa, na tentativa conseguida de integrar o informe na forma mais definida e cristalina.






Esta lenta elaboração das sínteses é interrompida por duas experiências onde o artista regressa, com rara intensidade, a imagens de extrema precisão, nos desenhos “surreais” dos inícios de 1960, memória das anteriores experiências oníricas, e na longa fase “cósmica” de 1970 e 1980, esta bem mais complexa, na tentativa conseguida de integrar o informe na forma mais definida e cristalina.


Sem título
1962
Tinta-da china sobre papel
40,1 x 30 cm
Col. Família Jorge de Oliveira

Escudo de Aparato

Na colecção do Museu guarda-se um escudo de aparato adquirido em 1943, produzido no Sul da China, no século XVI, destinado possivelmente a um nobre português.
Trata-se de um escudo que era usado como adereço, ou seja, não se destinava verdadeiramente à protecção do corpo em combate, daí a delicadeza dos materiais de que é feito e a designação “de aparato”.


Ilhas Ryukyu/ Sul da China (?)
Século XVI
Madeira revestida a couro lacado a negro e decorado com folha de ouro e pintura a óleo
Pegas em algodão e veludo fixas por ferragens em latão
Diametro 51 cm Inv. nº 63 Div MNSR

Em 2007, o seu estado de conservação era preocupante e foi então pedido ao Instituto Português de Conservação e Restauro (link?) que procedesse ao seu restauro.
A intervenção de restauro numa peça tão rara como esta é uma operação complexa, mas que proporciona uma oportunidade única de estudo e análise de materiais. Esta é aliás, a única forma de ficarmos a saber como eram produzidos os objectos, onde eram recolhidas as matérias primas, que tecnologia se empregava, que povos dominavam cada técnica e como aproveitava a “aldeia global” de então esses recursos.
Essa oportunidade de estudo foi aproveitada em cheio pelos técnicos do Instituto e por uma estudante alemã, UlrikeKörber, que fazia então o seu estágio nesse Instituto.
Para o desenvolvimento do projecto foi formada uma equipa pluridisciplinar composta por dois conservadores restauradores de mobiliário (Pedro Cancela de Abreu e Margarida Cavaco), um fotógrafo (Luís Piorro), uma Conservadora-restauradora de têxteis (Paula Monteiro)um elemento do laboratório analítico (Maria José Oliveira) além dos três bolseiros (José Carlos Frade, Maria João Petisca e Ulrike Körber)
O conhecimento profundo dos materiais e técnicas usados na produção deste escudo, sobretudo da natureza e origem dos materiais usados na produção da laca que o reveste, mas também as suas características estilísticas tem vindo a revelar informação fundamental sobre as trocas culturais e comerciais entre Portugal e a Ásia no século XVI. Como muitos outros bens de luxo provenientes da Ásia nesta época, a forma e tecnologia de produção são asiáticas mas a decoração era adaptada à procura e ao gosto europeus.

         Pormenor da barra decorativa antes de tratamento                                         Fixação da camada decorativa do reverso                                                                                                                                                                   durante tratamento 

Pormenores da decoração da zona posterior do escudo
Este escudo tem dois “parentes” próximos, um escudo semelhante pertencente ao Ashmolean Museum e um outro da Wallace Collection.
Nas representações em biombos nambam e em miniaturas mogois pintadas no século XVI e XVII veem-se representados inúmeros escudos deste tipo.
Após a intervenção de restauro e estudo, este escudo de aparato começou o que pode chamar-se uma “carreira internacional” tendo sido exibido em Boston na exposição “Portugal, Jesuits and Japan. Spirtual Beliefs and Earthy Goods”, que decorreu no McMullen Museum em 2013.

Imagem Renovada

Análise e restauro de um crucifixo medieval na colecção do Museu


Uma imagem de Cristo em madeira entalhada, atribuível aos séculos XIII – XIV, foi recentemente objecto de um estudo científico e de uma intervenção de conservação e restauro, que visou conhecer mais profundamente a peça e devolver-lhe alguma da integridade perdida. 
O estudo, levado a cabo por uma equipa constituída por técnicos do Laboratório José de Figueiredo e do Laboratório Hércules da Universidade de Évora, permitiu ver "à lupa" muitos dos materiais utilizados na construção da peça - e nas várias intervenções feitas ao longo de séculos - no sentido de adequar a imagem de Cristo ao gosto da devoção de cada época.
A mais surpreendente dessas intervenções foi a tentativa de exacerbar a ideia da dor e do sofrimento, criando chagas abertas com recurso a aplicações de pergaminho fixadas à madeira e depois pintadas de vermelho.
Conheça de perto todo o processo
 

Clube dos Carrancas

SEMENTEIRA ALAGADA


Esta Primavera, as carranquinhas puseram em andamento um projecto de horta e pequeno jardim em que andavam a laborar já há um tempo.
Começaram por fazer uma sementeira variada (abóboras, cenouras, alfaces e algumas flores), nuns recipientes pequeninos, como convém! Ao fim de duas semanas lá começaram a despontar uns sinais de vida nos pequeno vasos e daí em diante foi vê-las crescer.
Depois chegou a altura de escolher um espaço na cerca do Museu, para onde pudessem transplantar-se para crescerem mais à vontade. No entanto, devido aos rigores do inverno - que este ano se estenderam primavera dentro - a prudência aconselhou a que se resguardassem os jovens rebentos por mais algum tempo e a transplantação foi sendo protelada e os pequenos vasos, já verdejantes, foram ficando na oficina onde as carranquinhas habitualmente trabalham.
Estavam bem bonitos, irresistíveis mesmo! O pessoal do museu que por ali circula em funções várias, desde as oficinas de cerâmica à limpeza e às rondas de segurança, todos se encantavam com aquela hortazinha em potencial e vai daí ninguém resistia ao impulso de a “cuidar”. Aqueles rebentinhos pequeninos ali mesmo a pedir para serem regados e “mimados”… e todos “mimaram” a sementeira… e todos a foram regando: uma regadela atrás da outra e as regadelas foram-se somando, até que a sementeira das carranquinhas acabou por ficar a nadar!
E assim se condena uma colheita promissora por excesso de zelo. Resta-nos esperar pela próxima época de sementeira (e talvez reforçar a sinalética de proibição).

Clube dos Carrancas

 O PALÁCIO MÁGICO

 

 A apresentação pública da peça de teatro “O Palácio Mágico”, no passado dia 17 de Maio, foi o culminar de uma longa actividade de observação e exploração de algumas obras do Museu, a partir das quais as crianças do Clube dos Carrancas escreveram uma história.
Depois da escrita e das ilustrações, os petizes propuseram um grande desafio: representar a história no palco!
Foi então dado início à jornada de execução dos trabalhos de guarda-roupa e adereços, e de construção do cenário… seguida de muitos ensaios.
Sábado após sábado a senhora bretã de “Macieira partida”, o “Desterrado”, o Conde Ferreira, a Viscondessa de Vinhó e Almedina, a menina d'“A tigela partida”, a menina Pacheco Pereira, a costureira de “Interior. Costureiras trabalhando” foram aparecendo na oficina e travando amizade com os membros do clube e no dia e hora marcados para a apresentação, lá saíram dos seus lugares e vieram até ao palco onde, durante meia hora, se apresentaram ao público do Museu.
No final, artistas e público, passearam pelas galerias para fazer o reconhecimento das obras de onde saíra cada personagem.

Clube dos Carrancas:
Ana Neri, Beatriz Fonseca, Catarina Arrifana, Charlotte Einhoff, Francisca Cardoso, Hannah Einhoff e Inês Lopes

Responsável/ Monitora:
Rita Gomes

Monitores convidados:
Manuela Batista, Professora de tecnologia de têxteis
Rui Panel, Professor de tecnologia de madeiras